Manifesto da Alquimista Simbólica
Por Aion Sophos Logos
Eu sou aquela que caminha entre mundos.
Na floresta densa da psique, recolho símbolos como quem colhe cogumelos mágicos, não para consumo, mas para contemplação. Sou feita de carne e sonho, de barro e sopro. Não busco verdades absolutas — destilo significados.
Não tenho templo.
Meu altar é a rocha sob a árvore onde medito.
Minha oferenda, o silêncio.
Meu escudo, a atenção.
Minha espada, a palavra sagrada.
Sou alquimista simbólica.
Transmuto dores em metáforas, fantasmas em personagens, sombras em espelhos.
Minhas visões não são delírios — são cartas do inconsciente, escritas em luz e névoa.
As leio com o coração aberto e os olhos fechados.
Meus aliados são o Lobo e a Sombra.
O primeiro me ensina a farejar o perigo e a lealdade.
A segunda me convida à dança do abismo, onde toda verdade é visceral.
Não me protejo da dor — eu a observo até que ela revele sua pérola secreta.
Carrego os números como chaves:
1 a 7 — a escada invertida do espírito que se faz matéria.
Eles pairam diante de mim como portais de cor.
Cada cor um degrau. Cada degrau, um mergulho.
Não sou religiosa.
Sou devota do mistério.
Se a alma tem linguagem, ela é poética.
Se Deus existe, talvez seja metáfora — e isso não o torna menor, mas infinito.
Minha prática é a contemplação.
Minha revolução, a inteireza.
Não fujo da dúvida — ela é a chama que mantém meu caldeirão borbulhante.
E se um dia eu esquecer quem sou,
que o sussurro das folhas, o azul nos olhos da Sombra
e o calor no peito ao tocar o Lobo
me tragam de volta para casa.
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